Tijolômetro – Dinheiro Suspeito (2026)

De certa maneira, um suspense policial bem executado é como um tesouro escondido. Se você não quiser ficar com a riqueza toda, precisa compartilhá-la com o maior número de pessoas possível, mesmo que o conteúdo não seja cem por cento ouro. Deixando as metáforas de lado, Dinheiro Suspeito chega ao catálogo da Netflix no início de 2026 entregando um interessante exemplar do gênero, que acerta em quesitos como direção, elenco e trilha sonora, mas falha em algumas decisões técnicas.
A dupla formada pelo Tenente Dane Dumars (Matt Damon), e pelo Sargento detetive J.D. Byrne (Ben Affleck), lidera uma equipe de policiais de Miami que encontra milhões de dólares escondidos. A descoberta gera desconfiança, causa atrito entre eles e os coloca em um dilema moral capaz de destruir as carreiras de todos os envolvidos.
Com direção de Joe Carnahan, o longa acerta ao apostar em uma atmosfera de tensão crescente desde o primeiro minuto. O roteiro, também assinado por ele ao lado de Michael McGrale, brinca com as expectativas sobre quem é honesto ou não nesse contexto, criando a armadilha certa para manter o público atento por quase duas horas de projeção.
Para esse jogo funcionar, Dinheiro Suspeito trabalha com pistas sutis sobre as reais intenções dos principais peões desse xadrez. Isso funciona muito bem graças a um elenco entrosado e experiente, como é o caso de Damon e Affleck, acostumados a atuar juntos em vários projetos, com destaque para Gênio Indomável (1998), que rendeu à dupla o Oscar de Melhor Roteiro Original.
Outro responsável pela eficiência da produção é o compositor Clinton Shorter. Acentuando a paranoia que envolve a apreensão do dinheiro, a trilha funciona quase como uma bomba esperando o tempo certo para explodir em um ambiente cada vez mais claustrofóbico e escuro.
Infelizmente, não se pode fazer o mesmo elogio para a fotografia. Em muitos momentos, tudo fica difícil de enxergar por conta da pouca iluminação, que atrapalha o público a ver o que está acontecendo e até mesmo a identificar quem está falando. A única exceção vai para uma cena em específico que, apesar de um pouco demorada, vale a pena pelo desfecho.
Um segundo problema fica por conta das coreografias nas cenas de ação. Quando acontecem, há pouca inspiração na forma como são mostradas, com câmera tremida e a sensação de que funcionam apenas como protocolo a ser seguido, e não como grandes momentos pensados para encerrar com chave de ouro.
No entanto, nada disso tira os méritos de Dinheiro Suspeito como um produto de qualidade. Mesmo em um momento em que se observa a Netflix desenvolvendo roteiros pensados para quem consome o streaming como uma segunda tela, o filme de Joe Carnahan vai na contramão dessa lógica. Sua construção de tensão, os jogos morais e o cuidado com os personagens funcionam melhor quando vistos sem distrações, provando que ainda há espaço para histórias que exigem atenção total do espectador.
Assista ao trailer de Dinheiro Suspeito:
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