Tijolômetro – F1: O Filme (2025)

Os azarões muitas vezes despertam o carinho e a simpatia do público. Quando aplicamos essa lógica à indústria do cinema — mais especificamente na disputa pelo Oscar — o azarão em questão apenas não se encaixa naquilo que a Academia está disposta a eleger como o Melhor Filme do ano. Isso não significa que a qualidade da produção é inferior à dos demais concorrentes. Esse é o caso de F1: O Filme, um dos melhores e mais imersivos lançamentos de 2025, que está na corrida pela estatueta dourada em quatro categorias diferentes.
Após sofrer um grave acidente, o promissor piloto de Fórmula 1 Sonny Hayes (Brad Pitt) abandona a modalidade. Décadas depois, ele aceita o convite de seu antigo amigo, Ruben Cervantes (Javier Bardem), para ser o novo piloto da escuderia APXGP, que está em último lugar no campeonato. Ao lado do jovem e arrogante Joshua Pearce (Damson Idris), Sonny precisa bolar uma estratégia para impedir a falência da equipe.
F1 proporciona ao espectador um mergulho dentro do mundo automobilístico, potencializado pela colaboração do piloto heptacampeão Lewis Hamilton na produção do longa. Dessa forma, nós somos conduzidos pelos bastidores da competição, com a participação de pilotos e equipes reais, sem contar patrocinadores de peso. E, como não poderia ser diferente em uma obra com essa temática, uma referência ao ícone Ayrton Senna. O resultado é que passamos a compreender todas as nuances desse esporte multimilionário que requer os estratagemas mais complexos — e controversos — dentro e fora das pistas.
Esse é o tipo de filme feito para ser assistido na maior tela possível. As câmeras ágeis do diretor Joseph Kosinski nos colocam dentro do cockpit junto com os pilotos, tornando a imersão completa. A edição de som primorosa, a montagem precisa e os efeitos visuais impressionantes — todos indicados ao Oscar 2026 — criam sequências emocionantes, fidedignas às corridas reais. Esses elementos, combinados a uma trilha sonora potente, fazem com que até mesmo o público que não acompanha a Fórmula 1 aprecie a obra.
A parceria entre Kosinski e o roteirista Ehren Kruger não é inédita. Os dois já trabalharam juntos em Top Gun: Maverick (2022) e conquistaram uma indicação ao Oscar de Melhor Filme em 2023. Assim como naquele ano, F1 não é um forte concorrente ao prêmio. Porém isso se justifica pelo fato de a produção se aproximar muito mais de um blockbuster e não ter o perfil subjetivo e intimista de um longa com potencial para vencer nessa categoria. Tal característica, contudo, não reduz o impacto e a qualidade do projeto.
Por fim, um detalhe que chama atenção na trama é que os papéis se invertem entre os protagonistas. Geralmente, é o veterano quem se vê ameaçado por uma figura mais jovem que desvia os holofotes para si. Nesse caso, é o novato, Joshua, quem se sente pressionado pela presença de Sonny. Dentro dessa dinâmica, vale mencionar a atuação de Brad Pitt e Damson Idris, que conseguem ser verdadeiros opostos dentro do mesmo time.
Talvez F1: O Filme seja o último colocado na corrida pela estatueta de Melhor Filme. Entretanto, o longa se sobressai nas categorias técnicas, as quais tornam a experiência sensorial algo memorável. Independentemente do gosto da Academia, é inegável que o público geral — com destaque para os amantes do automobilismo — irá desfrutar de algumas horas de muita adrenalina.
Assista ao trailer:
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