Tijolômetro – Hamnet: A Vida Antes de Hamlet (2025)

Uma das grandes surpresas de 2025 nos cinemas foi a adaptação de um romance inspirado na vida do dramaturgo mais célebre do mundo. Hamnet: A Vida Antes de Hamlet transforma a figura genial de William Shakespeare em um homem comum que, ao lado da esposa, precisa lidar com o luto. Com diversas qualidades técnicas e artísticas, o longa dirigido e coescrito por Chloé Zhao vem se destacando na temporada de prêmios e chega à disputa pelo Oscar 2026 com oito indicações.
Baseado no livro homônimo da escritora Maggie O’Farrell, o filme acompanha a tragédia pessoal vivida por Shakespeare (Paul Mescal) e sua esposa, Agnes (Jessie Buckley). Durante um surto de peste bubônica no século XVI, eles perdem seu filho, Hamnet (Jacobi Jupe), de apenas 11 anos. Enquanto Agnes não esconde o pesar pela morte do menino, William volta para Londres e se afunda no trabalho, escrevendo uma de suas obras-primas, Hamlet.
Embora seja uma ficção histórica, a obra parte de fatos comprovados. Shakespeare e Agnes — que, na verdade, se chamava Anne Hathaway — realmente tiveram um filho chamado Hamnet, que faleceu devido à febre em 1596. Alguns anos depois, Hamlet chegava aos palcos. Ainda que não haja confirmação de que a criação da peça foi uma resposta ao luto, essa conexão feita pelo roteiro acrescenta o principal elemento dramático do longa.
Sob a direção cuidadosa de Chloé Zhao, a trama apresenta o ponto de vista de Agnes, uma mulher de espírito livre e ligada à natureza, que fica devastada pela morte do filho. Isso coloca a genialidade de William Shakespeare em segundo plano e mostra um homem que se distancia da família em função do trabalho. Desse modo, podemos ver como os dois reagem de formas distintas à perda do menino e não conseguem compreender os sentimentos um do outro.
Contudo, percebemos que o poeta inglês apenas tem uma forma peculiar de demonstrar suas emoções. Assim como Valor Sentimental (2025) retrata a arte como forma de verbalizar traumas e palavras não ditas, Hamnet segue o mesmo caminho. O luto do autor é transportado para o palco e a força de suas palavras reflete todos os dilemas que o atormentam.
Nesse cenário, o teatro mostra seu potencial de se conectar com as emoções da plateia. Em um desfecho emocionante, a encenação da peça revela — através de diálogos profundos, porém acessíveis — a sutileza do texto de Shakespeare e todo o simbolismo que ele carrega. Muito além de extravasar o próprio luto, ele o compartilha com Agnes e o restante do público e, assim, todos dão um passo significativo rumo à superação.
Além das indicações de peso a Melhor Filme, Direção e Roteiro Adaptado, o longa conta com a nomeação de Jessie Buckley para o Oscar de Melhor Atriz graças à sua brilhante performance. Ela não interpreta apenas uma mãe enlutada, mas uma mulher marcada pelas incertezas trazidas pela dor. Paul Mescal não conseguiu uma vaga para Ator Coadjuvante, mas tem uma atuação memorável como Shakespeare. Quem também merece destaque é o jovem Jacobi Jupe por sua expressividade, mesmo sendo tão novo.
Após uma jornada promissora de conquistas e reconhecimento, Hamnet: A Vida Antes de Hamlet chega como um dos favoritos ao maior prêmio do cinema. A mescla de ficção e realidade em torno de William Shakespeare e sua família humaniza essa figura tão importante para a dramaturgia ao mesmo tempo em que transforma uma tragédia íntima em experiência universal.
Assista ao trailer:
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