Tijolômetro – Um Filme Minecraft (2025):

Com a onda de adaptações de videogames para o cinema, era apenas questão de tempo até que o jogo mais vendido do mundo também ganhasse a sua versão live-action. Um Filme Minecraft chega para explorar uma fração do mundo aberto criado para o jogo, mas fica preso a limitações e conveniências para tentar atingir um público-alvo bem definido: os fãs do game, mais especificamente a parcela infantil.
A trama nos transporta para o Mundo Superior, um lugar com um visual incomum onde tudo é feito com blocos de acordo com a imaginação. Steve (Jack Black) é um construtor que se refugiou há muitos anos nesse mundo e agora precisa evitar que Malgosha, a líder dos Piglin, destrua essa dimensão. Para isso, ele conta com a ajuda do quarteto de desajustados que foi para lá por acidente: Garret “O Lixeiro” Garrison (Jason Momoa), Dawn (Danielle Brooks) e os irmãos Henry (Sebastian Eugene Hansen) e Natalie (Emma Myers).
Desde o início fica evidente que a produção é voltada para os fãs do jogo, a começar pela introdução apressada do Mundo Superior, que apenas contextualiza o enredo sem dar muitas explicações adicionais. Além disso, há muitos elementos e cenários que só quem conhece o game irá entender as referências.
O ponto mais importante, contudo, é entender que Um Filme Minecraft é feito para o público infantil, algo que fica claro não por causa da proposta do jogo, mas sim pela superficialidade e desenvolvimento da narrativa na adaptação. A partir daí, qualquer crítica mais profunda sobre direção e roteiro pode ser rebatida com o argumento de que “é um filme para crianças.”
Ainda assim, é possível citar alguns exemplos de filmes infantis que surpreendem pela qualidade e até mesmo profundidade, como Sonic e Divertida Mente. O problema de Minecraft é justamente a história fraca e repleta de conveniências, situações mal elaboradas e diálogos desnecessários que subestimam a inteligência até mesmo dos mais jovens. Sem contar que a premissa sobre o potencial da criatividade é ignorada.
Para ser justo, há momentos divertidos protagonizados principalmente por Black e Momoa, que abusam de uma atuação caricata. Porém, isso vai perdendo a graça ao longo da projeção até se tornar cansativo. No mais, falta entrosamento entre o elenco principal e a consequência disso é que não há empatia pelos personagens e seus dilemas. O maior desperdício nesse quesito são as participações de Emma Myers e Danielle Brooks que, se fossem retiradas da produção, não fariam falta alguma.
Seria impossível executar a proposta da obra sem se sustentar nos efeitos visuais. Apesar de a qualidade não ser de todo ruim, a interação dos atores com os elementos e cenários em CGI é artificial ao ponto de não transmitir aquela sensação de realidade, funcionando melhor como um híbrido – que mistura animação e pessoas de carne e osso – do que um live-action.
Se você é fã do jogo ao ponto de estar disposto a consumir qualquer conteúdo relacionado a ele ou alguém que não é tão exigente quanto a qualidade do roteiro, então Um Filme Minecraft é feito para você. Do contrário, a probabilidade de se frustrar é grande, visto que até mesmo um filme para crianças precisa ser criativo para ser considerado bom.
Assista ao trailer:
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