A saga Stormlight Archive tem tantos personagens e lugares exóticos que, às vezes, não cabe tudo na narrativa principal. Por isso, Brandon Sanderson nos presenteia com obras mais curtas, explorando determinadas figuras em uma localidade peculiar de Roshar. Edgedancer é uma dessas novelas que traz uma protagonista que me conquistou pelo carisma e pela imprevisibilidade, cuja participação certamente terá grande relevância para toda a trama.
Situada logo após os acontecimentos de Palavras de Radiância, a obra acompanha a excêntrica Lift. Sentindo-se sufocada pela vida na corte de Azir, ela deixa a proteção do imperador e parte para a cidade de Yeddaw com seu companheiro, Wyndle. O que, a princípio, parecia ser uma viagem casual coloca a menina frente a frente com uma terrível ameaça contra ela e todos aqueles que possuem habilidades especiais iguais às dela.
A primeira aparição de Lift é em um dos interlúdios do livro dois de Stormlight. Naquele momento, ela já tinha chamado a minha atenção por sua personalidade divertida — e também irritante, às vezes — e pela sua obsessão por comida. Em Edgedancer, ela ganha mais espaço para mostrar seu verdadeiro potencial sem perder o senso de humor ácido e a impulsividade que a tornam uma pessoa totalmente aleatória.
Essa leitura foi um desafio pessoal, pois foi o primeiro livro em inglês que li. O próprio worldbuilding do Sanderson já cria alguns obstáculos com palavras inventadas para esse universo fantástico que são totalmente diferentes da tradução para o português. Aliado a isso, há a forma característica como a personagem fala, com muitas gírias e nomes que ela própria não consegue pronunciar corretamente. Isso deixou meu avanço um pouco mais lento, mas com um pouco de paciência consegui progredir e dar boas risadas no processo, especialmente nos diálogos entre Lift e Wyndle.
E por mais que a protagonista tenha atitudes infantis condizentes com a pouca idade, fica claro que parte disso é apenas uma recusa dela em amadurecer. Por trás das piadas e ofensas, ela é uma menina solitária que ainda não encontrou seu lugar em um mundo cada vez mais hostil. Mesmo assim, ela é capaz de gestos altruístas nos quais utiliza suas habilidades para ajudar outras pessoas.
O momento recomendável para ler essa novela é depois de Palavras de Radiância e antes de Sacramentadora. Assim, não pegamos spoilers do volume dois e conseguimos entender a mudança de perspectiva de algumas figuras no volume três. Mas se você não seguir essa ordem, não há tanto problema, já que o maior objetivo da história de Lift é explorar outros locais e personagens de Roshar que não têm espaço na narrativa principal. Dessa forma, conhecemos a curiosa geografia de Yeddaw, a cidade-labirinto escavada no chão, e seus habitantes.
Mesmo que tenha me tirado da zona de conforto por ser em outro idioma, Edgedancer valeu a pena cada página. Tanto pela diversão ao acompanhar uma personagem tão cativante quanto pela oportunidade de conhecer as implicações dos acontecimentos da trama central no restante do mundo. Agora fica a expectativa para reencontrar Lift em mais livros da saga.
Adicione este livro à sua biblioteca!
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