Tijolômetro — Homem-Aranha: Um Novo Dia (2026):

Os filmes do Cabeça-de-Teia são um acontecimento aguardado pela maioria de seus fãs. Isso fica evidente com Homem-Aranha: Um Novo Dia que, mesmo com tropeços ao longo da trajetória de amadurecimento do herói, realiza a façanha de se tornar — até então — a terceira maior bilheteria da história, ficando atrás apenas de Vingadores: Ultimato (2019) e Avatar (2009).
Dando continuidade aos acontecimentos de Sem Volta para Casa (2021), reencontramos Peter Parker (Tom Holland) levando uma vida solitária depois que todos se esqueceram de quem ele é. Enquanto lida com a saudade de Ned (Jacob Batalon) e MJ (Zendaya), dedicando-se integralmente a combater os vilões de Nova York, o Teioso também enfrenta mudanças internas que o fazem duvidar das próprias convicções e responsabilidades.
Após tantas críticas ao Homem-Aranha de Tom Holland e sua dependência da tecnologia Stark, Um Novo Dia chega cercado de expectativas para vermos o Aranha raiz: pobre, endividado, desconhecido, sem nenhum outro recurso além de seus poderes e inteligência. Contudo, o longa não entrega tudo isso. Apesar da solidão evidente causada pelo anonimato, ele ainda conta com artifícios tecnológicos de última geração. Combinado a isso, em nenhum momento o roteiro se preocupa em mostrar algumas de suas conhecidas dificuldades financeiras.
Ainda assim, o amadurecimento do personagem é perceptível, reforçado pelo peso de suas escolhas e pela cobrança para cumprir seus deveres. Nesse quesito, vale destacar o papel de Holland, cuja atuação finalmente afasta o protagonista da imagem infantilizada que apresentava até agora. Esse ar mais sério só é quebrado pontualmente pelas piadas típicas da fórmula Marvel, que não chegam a ser exageradas.
O conflito interno provocado pelas mudanças no corpo do herói teria deixado a atmosfera do filme ainda mais sombria. Porém, a questão da aceitação de Peter é mencionada no início e retomada apenas no último ato como um recurso conveniente para alcançar o clímax.
No que diz respeito às sequências de ação, Um Novo Dia apresenta cenas consistentes e criativas, especialmente na luta entre o Homem-Aranha e os membros do Tentáculo. Outros vilões também aparecem rapidamente como referências aos quadrinhos, mas não têm tanta importância quanto a misteriosa figura que desempenha a função de antagonista principal.
Já as participações especiais têm diferentes finalidades. As que mais se destacam são aquelas reveladas durante a divulgação do longa. Primeiro, temos a aparição do Hulk (Mark Ruffalo), que promete um grande confronto com o Cabeça-de-Teia e alimenta o desejo de que essa versão do Gigante Esmeralda seja mantida nos futuros projetos do estúdio. Em seguida, vem a inusitada parceria entre o Aranha e o Justiceiro (Jon Bernthal). É uma pena que a classificação etária limite o potencial de Frank Castle, mas a dupla protagoniza momentos divertidos. Por fim, há a obscura personagem interpretada por Sadie Sink. A essa altura, todos já sabem quem ela é, mas fica o lamento pelo roteiro não aproveitá-la para fazer uma conexão mais forte com o restante do universo Marvel.
Comparado a Sem Volta para Casa, Homem-Aranha: Um Novo Dia não tem o mesmo impacto e a relevância de seu antecessor. Entretanto, esse é um capítulo importante na trajetória do Amigão da Vizinhança que reforça o status do herói como um dos mais queridos pelo público. Além disso, a boa recepção do filme prepara o terreno e aquece os espectadores para a chegada de Vingadores: Doomsday.
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