Tijolômetro – Kill Bill: The Whole Bloody Affair (2025)
“Um clássico nunca sai de moda.” Essa afirmação pode ser clichê, mas nem por isso deixa de ser verdadeira. E quando esse clássico — com seus próprios clichês irresistíveis — é reeditado para se tornar a epopeia que sempre deveria ter sido, o resultado é ainda melhor. Com Kill Bill: The Whole Bloody Affair, Quentin Tarantino enfim realiza o desejo de narrar sua épica trajetória de vingança da maneira certa, sem se importar com as estratégias comerciais dos estúdios.
Com os volumes I e II reunidos em um único longa-metragem monumental de 275 minutos, acompanhamos toda a jornada da Noiva (Uma Thurman), que desperta após ficar quatro anos em coma. Seu objetivo é eliminar Bill (David Carradine) e todo o restante do esquadrão de assassinos Víboras Mortais que tentaram matá-la no dia do seu casamento.
A versão estendida de Kill Bill não se limita apenas a passar um filme depois do outro. Algumas adições e adaptações são realizadas para que o projeto tome a forma que Tarantino havia planejado anteriormente. Entre as mudanças, destaca-se a sequência animada sobre a origem de O-Ren Ishii (Lucy Liu), que ganha cenas inéditas. O ápice da luta entre a Noiva e a gangue Crazy 88 — em preto e branco no original para evitar a classificação +18 nos EUA — se torna colorida e muito mais sangrenta. Já a revelação feita ao término do primeiro volume é removida, deixando a surpresa para o final da história.
Contudo, o acréscimo mais significativo ocorre somente no pós-créditos. Seguindo o estilo de animação do jogo Fortnite, um capítulo extra apresenta Yuki, a irmã da assassina Gogo (Chiaki Kuriyama), que persegue a Noiva até a Califórnia para se vingar. A decisão de deixar essa cena como uma espécie de bônus foi a mais acertada, visto que seu tom fantasioso não se encaixaria no fluxo da narrativa principal.
Apesar de ser uma verdadeira maratona — com um intervalo estratégico de 15 minutos na metade — é especialmente prazeroso rever os grandes momentos dessa violenta saga. Desde as cenas de ação até as passagens mais dramáticas, passando por clichês típicos dos clássicos de artes marciais, é empolgante acompanhar os altos e baixos da protagonista. Mesmo aqueles que nunca assistiram à obra antes irão sentir essa emoção, tudo realçado por uma trilha sonora marcante.
Esse efeito cativante é mais forte para o público que já conhece os filmes, pois percebemos a profundidade dos diálogos que, mesmo depois de 20 anos, ainda carregam um forte simbolismo. São nessas sequências mais introspectivas que o talento do elenco é realçado, em particular no caso de Uma Thurman e David Carradine contracenando com atuações memoráveis.
Para quem está familiarizado com o trabalho de Tarantino, é perceptível seu toque pessoal em cada elemento do longa. A montagem não linear dos fatos, os ângulos de câmera e a fotografia se combinam para criar a epopeia moderna de uma única mulher lutando contra inimigos poderosos e cruéis. E por mais que alguns de seus sentimentos sejam conflitantes, ela não perde seu objetivo de vista nem por um segundo.
Se há duas décadas não era comercialmente vantajoso lançar um filme de mais de quatro horas e meia no cinema, hoje Kill Bill: The Whole Bloody Affair se consagra como a versão definitiva desse clássico. Não apenas por Quentin Tarantino já estar estabelecido como um cineasta de renome, mas também porque a audiência está mais receptiva a vivenciar essa intensa jornada cinematográfica.
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