Tijolômetro – Guerreiras do K-Pop (2025)
A cultura sul-coreana está dominando o audiovisual, seja no cinema, nas séries ou na música. Enquanto alguns celebram esse fenômeno, outros o rejeitam. Nesse cenário dividido, a animação Guerreiras do K-Pop chega como uma espécie de ponto de convergência. Com uma história básica — mas que funciona — aliada a uma trilha sonora poderosa, a animação dirigida por Chris Appelhans e Maggie Kang tem ingredientes para agradar aos dois lados da balança.
Além de serem o trio feminino de K-Pop mais famoso do momento, Rumi, Zoey e Mira também são caçadoras de demônios. Através de sua música, elas sustentam o Honmoon, a barreira que impede a entrada dessas criaturas no nosso mundo. Quando uma boy band demoníaca surge para roubar os fãs das Huntr/x e enfraquecer essa proteção mágica, elas têm que lutar para salvar a humanidade.
Antes de qualquer outro comentário, é preciso reconhecer que esse filme é uma aposta certeira. O gênero do K-Pop e as demais produções da Coreia do Sul passam pela sua melhor fase, com admiradores de todas as idades ao redor do mundo. Independentemente da avaliação do roteiro, criar uma animação baseada nesse fenômeno cultural era certeza de audiência, nem que fosse motivada pela simples curiosidade. Por isso, é uma jogada inteligente incluir no elenco de vozes originais nomes famosos como Ken Jeong (Se Beber, Não Case), Lee Byung-hun (A Única Saída) e Ahn Hyo-seop (Pretendente Surpresa).
No entanto, não são apenas as referências e brincadeiras com esse mundo particular que fazem de Guerreiras do K-Pop um sucesso na Netflix. A premissa simples consegue estabelecer uma mitologia com grande potencial de expansão. Mesmo que não seja nada inédito ou inovador, a proposta do longa prende a atenção até mesmo daqueles que não se consideram fãs da cultura sul-coreana.
Ainda assim, é inegável que o elemento mais importante para a boa recepção da obra é o K-Pop. A trilha sonora é parte fundamental da narrativa, indo muito além de um simples adereço dramático. As letras bem construídas se aliam a um ritmo contagiante que gruda na cabeça, resultando em canções que serão lembradas por muito tempo após o fim da projeção.
Não é à toa que o filme está concorrendo ao Oscar 2026 na categoria de Melhor Canção Original com Golden. Nessa disputa, seu maior rival é Pecadores, que concorre com I Lied To You. Quando paramos para analisar as duas produções, é curioso perceber como a música exerce funções opostas, porém complementares, em cada uma. Enquanto no longa de Ryan Coogler ela abre um portal, na animação da Netflix ela simboliza uma barreira.
Vale mencionar também a qualidade da versão brasileira ao adaptar as canções de Guerreiras do K-Pop para o português. Não é um trabalho fácil, mas o resultado se aproxima bastante do nível do original, mantendo o ritmo e o significado das letras. O destaque fica por conta de Soda Pop que, traduzido, se tornou a divertida Meu Pequeno Guaraná.
A outra categoria do Oscar que a obra disputa é, merecidamente, Melhor Animação. Apesar de não ter o mesmo primor técnico e a fluidez de Demon Slayer: Castelo Infinito, a produção tem uma identidade visual marcante, com forte influência estética de Homem-Aranha Através do Aranhaverso. A mistura de 2D com 3D gera visuais com uma paleta de cores rica, especialmente nas cenas de ação.
Ao chegarmos no desfecho, os roteiristas estrategicamente deixam algumas questões sem resposta para que haja a oportunidade de expansão desse universo com continuações e derivados. Inclusive, a sequência do longa já está confirmada e tem previsão de estreia para 2029.
Não importa se é a música, a estética ou a trama; algo irá atrair sua atenção em Guerreiras do K-Pop. Muito mais do que uma aposta comercial bem-sucedida, a nova atração da Netflix mostra qualidades que justificam o fato de ser a produção mais assistida da plataforma. As duas indicações ao Oscar e as chances reais de sair vencedora apenas contribuem para sua visibilidade.
Assista ao trailer:
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