Tijolômetro – Stranger Things (5ª temporada)
Não dá para negar que Stranger Things se tornou um fenômeno da cultura pop. A mistura nostálgica entre ficção científica e terror conquistou diversos fãs pelo mundo e levantou as teorias mais loucas. Contudo, a longa espera pela conclusão cobrou seu preço. Só agora, quase uma década depois de sua estreia, os irmãos Duffer nos dão algumas respostas — ainda que insuficientes — no quinto e último ano do programa.
Na trama, dois anos se passaram desde os acontecimentos da quarta temporada. Hawkins se encontra em quarentena militar após a abertura das fendas que levam ao Mundo Invertido. Enquanto a população tenta levar sua vida normalmente, o grupo de amigos liderado por Eleven (Millie Bobby Brown) continua procurando por Vecna (Jamie Campbell Bower). Escondido em um lugar desconhecido, o vilão se prepara para executar seu plano final em 6 de novembro de 1987, dia do aniversário do desaparecimento de Will (Noah Schnapp).
De sua estreia em 2016 até o desfecho em 2025, a produção de Stranger Things enfrentou muitos obstáculos antes dos lançamentos. Além do intervalo característico entre uma temporada e outra, houve a pandemia e a greve de atores e roteiristas em Hollywood. Em vez de aumentar as expectativas, essa demora de quase 10 anos para concluir cinco temporadas teve o efeito contrário em uma parcela dos espectadores. Sem contar que a estratégia da Netflix em dividir o quinto ano em três volumes mostrou-se ineficaz em gerar engajamento duradouro.
Como resultado, reencontrar esses personagens tem efeito semelhante a rever velhos amigos: mesmo não sendo exatamente como antes, ainda é bom estar com eles mais uma vez. Assim, temos o carisma da dupla Dustin (Gaten Matarazzo) e Steve (Joe Keery), a química de Lucas (Caleb McLaughlin) e Max (Sadie Sink), a relação de pai e filha entre Hopper (David Harbour) e Eleven. Além dessas, outras relações que vão surgindo ao longo dos episódios, como a de Robin (Maya Hawke) e Will, o qual finalmente assume sua sexualidade.
Como nos anos anteriores, temos a adição de novos personagens. Dessa vez, o destaque vai para Holly (Nell Fisher), a irmã mais nova de Mike (Finn Wolfhard) e Nancy (Natalia Dyer). A garota tem um tempo de tela considerável e grande importância no desenvolvimento da história. Outro que rouba a cena é o desbocado Derek (Jake Connelly), que começa como um garoto desprezível, mas vai revelando sua verdadeira essência aos poucos.
Dentro dos oito episódios que constituem os três volumes, há momentos desnecessários que prometem ação, porém não levam a lugar algum e apenas quebram o ritmo. Somam-se a isso diálogos extremamente expositivos para explicar cada atitude dos protagonistas. No entanto, há momentos de destaque, principalmente quando descobrimos a cartada final de Vecna e a verdadeira origem do Mundo Invertido.
Ainda assim, a quantidade de pontas soltas deixadas pelo roteiro é gritante. Diversos personagens são esquecidos pelo caminho e não recebem a devida conclusão. Subtramas que vinham sendo construídas foram largadas sem resposta e — o principal problema — as consequências de determinados atos foram completamente ignoradas.
Apesar de tantos problemas, os irmãos Duffer conseguem chegar a um final emotivo que encerra a jornada dos protagonistas e marca o fim de suas infâncias. Entretanto, o fechamento da série reforça a falta de ousadia da dupla de criadores, que recorre a ambiguidades para amenizar o destino de algumas figuras relevantes.
A longa espera por Stranger Things 5 acentuou os problemas do programa. Se, por um lado, a despedida tem um apelo sentimental e alguns arcos são encerrados de maneira aceitável, por outro o desenvolvimento geral não se mantém coerente até o desfecho. O gosto agridoce resultante não é tanto pelo que acontece aos personagens, mas em grande parte pela certeza de que uma produção tão querida pelo público merecia uma conclusão mais elaborada e corajosa.
Assista ao trailer:
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