Tijolômetro – O Beijo da Mulher Aranha (2025)
Os musicais são clássicos da Sétima Arte, colecionando admiradores e críticos pelo mundo. Citando alguns exemplos, temos o ótimo Better Man e o tenebroso Emilia Pérez, ambos de 2024. Quem fica no meio do caminho entre esses dois extremos é o remake de O Beijo da Mulher Aranha. O longa dirigido por Bill Condon (A Bela e a Fera) tenta homenagear a magia desse gênero, mas apenas arranha a superfície com um resultado apático.
Nos anos 1980, durante a ditadura militar da Argentina, o preso político Valentín Arregui (Diego Luna) passa a dividir uma cela com Luiz Molina (Tonatiuh), detido por atentado ao pudor. Assumidamente homossexual, Molina se distrai da dura realidade da prisão recontando a trama de seu musical de Hollywood favorito, estrelado pela atriz Ingrid Luna (Jennifer Lopez). A partir daí, os dois companheiros de cárcere desenvolvem uma ligação profunda.
O principal argumento dos críticos dos musicais é que, na vida real, os personagens não saem cantando e dançando de repente. O roteiro do longa brinca com esse fato, colocando Valentín como um opositor ao gênero e à afeição de Molina por esse tipo de filme. Dessa forma, as cenas com as canções reforçam esse caráter de fuga do mundo real. Ao mesmo tempo, a produção homenageia a Broadway e o cinema cantado ao tentar reproduzir a grandiosidade de um espetáculo teatral.
Porém, apesar das coreografias bem executadas, do figurino elaborado e do talento vocal de Jennifer Lopez, O Beijo da Mulher Aranha não possui nenhum número musical que seja memorável. A maioria das músicas segue o mesmo estilo, sem apresentar algo impressionante, seja pelo visual ou pelo som.
Quando o foco retorna à prisão, o espectador sente falta de uma contextualização melhor sobre a situação política na Argentina. É nítido que o governo autoritário vem sofrendo forte oposição e que Valentín é um membro importante da resistência. Contudo, em nenhum momento sabemos o porquê de sua relevância e quais são as informações valiosas que ele esconde.
Já no que diz respeito à relação entre o militante e Molina, a diferença de personalidade entre os dois cria uma dinâmica com diálogos divertidos no início. No entanto, conforme eles se aproximam, a interação recai em clichês melodramáticos e perde a sutileza que vinha construindo.
Vale lembrar que a obra de 2025 faz a junção de duas adaptações anteriores: o filme de Héctor Babenco (1985), que não incluía as canções e tinha forte teor político, e o musical da Broadway (1993). Estas, por sua vez, adaptam o livro homônimo do escritor argentino Manuel Puig, publicado em 1976.
A nova versão de O Beijo da Mulher Aranha tenta honrar o legado dos musicais, reunindo o cinema e o teatro em um único lugar. Entretanto, Bill Condon não consegue explorar o verdadeiro potencial dessa história. A ausência de profundidade, tanto na vertente ideológica quanto no espetáculo cênico, culmina em uma produção simplória e inexpressiva.
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