Tijolômetro – A Única Saída (2025) 

Ruim

O cinema sul-coreano tem um lado crítico e ácido capaz de apontar vários problemas na sociedade. Para não citarmos apenas Bong Joon-ho (Parasita), outro cineasta que faz isso muito bem é Park Chan-wook, diretor e roteirista do emblemático Old Boy (2003). Agora, ele retorna com A Única Saída (No Other Choice), um thriller cômico que ataca o mundo corporativo. No entanto, essa comédia do absurdo não consegue atingir o ponto de equilíbrio entre o humor e o suspense. 

Man-su (Lee Byung-hun, de Round 6) é um homem convicto de que tem tudo o que precisa. Ao lado da esposa, dos dois filhos e seus cachorros, ele vive em uma casa grande e confortável. Tudo muda radicalmente quando um grupo de investidores americanos compra a fábrica de papel onde ele trabalha há 25 anos. Sob o pretexto de “corte de pessoal”, Man-su é demitido junto com vários outros funcionários. Desesperado para manter o seu padrão de vida, mas sem encontrar emprego, o homem conclui que a única saída é criar sua própria vaga no setor papeleiro e eliminar, literalmente, toda a concorrência. 

Essa premissa é baseada no livro O Corte, de Donald E. Westlake. Contudo, apesar do enorme potencial, a adaptação de Park Chan-wook se estende além do necessário em subtramas que acrescentam pouco à narrativa principal. Os dramas familiares — de Man-su e de outros personagens — tomam muito tempo de tela e afetam o ritmo do longa, tornando as 2h19min de projeção arrastadas e cansativas. 

Fica explícito que a proposta de A Única Saída é fazer uma sátira que critica o capitalismo e o descarte de trabalhadores na era da Inteligência Artificial. O humor deveria ser resultado das escolhas extremas do protagonista e do absurdo das situações. Porém, na maior parte do tempo, o timing cômico não funciona e enfraquece o argumento ao desviar o foco da problemática levantada. 

O único ponto que merece destaque no filme é a atuação de Lee Byung-hun. Ele consegue transitar de um estado de espírito para outro com naturalidade e transmite todas as emoções de Man-su. Isso evidencia a hipocrisia de seu personagem, o qual critica nos outros aquilo que ele próprio precisa melhorar. 

Mesmo com um bom ponto de partida, A Única Saída decepciona ao não achar o tom certo para sustentar sua mensagem satírica. A identidade crítica da cinematografia sul-coreana continua presente, mas não chega ao mesmo nível de qualidade de outras produções de Park Chan-wook e de seus conterrâneos.

Assista ao trailer:

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Mozer Dias

Engenheiro por formação, mas apaixonado pelo mundo da literatura e do cinema. Se eu demorar a responder, provavelmente estou ocupado lendo ou assistindo a um filme.

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