Tijolômetro – Coração de Lutador: The Smashing Machine (2025) 

Muito bom!

Além de ser o ator mais bem pago de Hollywood, a figura de The Rock é sinônimo de tiro, porrada e bomba em diversos blockbusters. Porém, a hierarquia de poder está prestes a mudar na filmografia do astro. Em Coração de Lutador: The Smashing Machine, mais uma produção da A24, Dwayne Johnson dá uma guinada em sua carreira e mostra que dá conta de papéis complexos e dramáticos. 

O longa escrito e dirigido por Benny Safdie acompanha a trajetória do pioneiro do MMA Mark Kerr (Johnson/The Rock) entre os anos de 1997 e 2000. Dividido entre a vida pessoal e profissional do atleta, acompanhamos seu relacionamento conturbado com Dawn Staples (Emily Blunt), sua luta contra o vício em opioides e os desafios dentro do ringue. 

A escolha do diretor em retratar um intervalo curto de tempo tem seus pontos positivos e negativos. A principal vantagem é desenvolver a proposta de Smashing Machine de maneira competente. Fica claro para o espectador que o foco está nessa fase problemática da jornada de Kerr. Por outro lado, quem não conhece de antemão a importância dele para o MMA, apenas aceita que ele já estava no auge ao final da década de 1990, pois o roteiro não se preocupa em reconstruir o caminho que o levou até ali. Isso reduz o peso simbólico da queda do personagem. 

Ainda assim, percebemos como a carreira de um lutador não era fácil naquela época, muito diferente da ostentação e fama atuais. Além da má reputação do esporte, os ganhos financeiros nem sempre compensavam. É evidente que o vício em analgésicos é consequência das frequentes lesões que Kerr sofre em cada combate. Ainda há o romance problemático com Dawn, que também impacta diretamente no seu desempenho como esportista. 

Com uma carga dramática tão pesada, é inevitável questionar a capacidade de The Rock para o papel. Isso só aumenta a surpresa quando vemos que ele supera as expectativas e entrega uma atuação digna de prêmios, transmitindo todas as nuances e emoções do protagonista. Infelizmente, ele foi esnobado pelo Oscar 2026 na categoria de Melhor Ator, mas garantiu sua indicação no Globo de Ouro. Emily Blunt também demonstra segurança como atriz coadjuvante e o lutador Ryan Bader impressiona como o atleta Mark Coleman. 

A única indicação que o filme recebeu no Oscar foi para Melhor Maquiagem e Penteado, disputando a estatueta com títulos como Pecadores A Meia-Irmã Feia. Essa nomeação já era esperada, pois o trabalho de Kazu Hiro na transformação de The Rock em Mark Kerr é excepcional. Combinadas com o excelente preparo físico, as alterações na aparência do ator vão evoluindo ao longo da trama, sem ficar algo engessado em uma única forma. 

Ao final de Coração de Lutador: The Smashing Machine, temos um recorte da trajetória de uma das lendas do MMA. Ainda que não vejamos Mark Kerr atingir esse status, a obra cumpre sua função de introduzir essa figura tão importante para o esporte, nos incentivando a buscar mais informações sobre ela. Acima de tudo, é interessante ver que o The Rock dos filmes de ação está se estabelecendo cada vez mais como Dwayne Johnson e provando que aguenta o desafio de interpretar papéis profundos e memoráveis.

Assista ao trailer:

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Mozer Dias

Engenheiro por formação, mas apaixonado pelo mundo da literatura e do cinema. Se eu demorar a responder, provavelmente estou ocupado lendo ou assistindo a um filme.

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