Tijolômetro – Você Só Precisa Matar (2025) 

Bom

Entre as produções sobre viagem no tempo, uma das histórias mais comuns — e mais divertidas — é o loop temporal. Se esse conceito não for bem explorado, recontar o mesmo dia várias e várias vezes pode se tornar enfadonho ou até superficial. Felizmente, a animação japonesa Você Só Precisa Matar (All You Need Is Kill, no original) evita esses problemas e apresenta uma boa releitura de um clássico da ficção científica. 

Baseado na light novel homônima escrita por Hiroshi Sakurazaka e ilustrada por Yoshitoshi ABe, o longa nos conduz a um mundo pós-apocalíptico onde a flor alienígena Darol finca suas raízes no Japão. Quando criaturas monstruosas saem dessa flor, Rita acaba morrendo em combate. Contudo, ela desperta na manhã do mesmo dia, iniciando um ciclo interminável. Com a ajuda de Keiji, a jovem reúne informações e aprende a lutar na tentativa de quebrar o loop. 

Ainda que você nunca tenha ouvido falar desse anime, muito menos do romance original, provavelmente está achando a trama familiar. Isso acontece porque a obra de Hiroshi Sakurazaka serviu de inspiração para o filme No Limite do Amanhã (2014), estrelado por Tom Cruise. A animação de 2025 é uma nova adaptação, contada pelo ponto de vista de Rita em vez de Keiji. 

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Dessa forma, conhecemos um pouco mais sobre a jovem que vive deslocada dos demais. Por trás do cenário futurístico de Você Só Precisa Matar, inicialmente vemos a protagonista lutar contra os sintomas da depressão enquanto lida com a falta de pertencimento. Reviver um único dia diversas vezes intensifica os altos e baixos em seu estado de espírito, mas esse lado psicológico perde força ao longo do desenvolvimento. 

Conforme aprende a combater as criaturas invasoras, Rita aprimora suas técnicas e ferramentas graças ao auxílio de Keiji. A cada repetição, a dupla percebe novos detalhes a serem explorados e entra em um verdadeiro jogo de tentativa e erro. Nesse quesito, a passagem de tempo se torna bem nítida e revela a longa duração do loop. Ainda assim, em alguns momentos parece que eles têm tempo de sobra para se preparar para o “novo” dia, com upgrades saídos não se sabe de onde. Isso compromete a verossimilhança do roteiro. 

Já sobre a qualidade da animação, os traços característicos dos personagens causam estranheza no início, mas depois nos acostumamos à fluidez dos movimentos. A combinação de cores, luzes e ângulos de câmera valoriza as cenas de ação, especialmente no clímax da obra, o qual corresponde às expectativas. 

Dependendo do tipo de loop temporal, achar uma saída razoável para ele pode ser um trabalho difícil. Porém, ao final de 1h30 de projeção, Você Só Precisa Matar cumpre seu papel de apresentar um desfecho satisfatório, mesmo com a mudança de perspectiva em relação ao material original. Fazer isso sem recorrer à clássica “lição de moral” também conta a favor da produção.

Assista ao trailer:

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Mozer Dias

Engenheiro por formação, mas apaixonado pelo mundo da literatura e do cinema. Se eu demorar a responder, provavelmente estou ocupado lendo ou assistindo a um filme.

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