Tijolômetro — A Hora do Mal (2025) 

Ótimo!

O terror ainda é um gênero esnobado nas grandes premiações do cinema. Por isso, é notável quando um título se destaca a ponto de chamar a atenção da Academia e de outras premiações da indústria em uma categoria relevante como atuação. A Hora do Mal (Weapons, no original) consegue realizar esse feito ao mesmo tempo em que apresenta um roteiro original e instigante como não se via há tempos. 

Escrito e dirigido por Zach Cregger, o filme acompanha o misterioso desaparecimento de 17 crianças de uma mesma turma. Exatamente às 2:17 da madrugada, todas elas saem de suas casas por livre e espontânea vontade e desaparecem. Diante da consternação da cidade e do desespero dos pais, a professora da classe, Justine Gandy (Julia Garner), se torna a principal suspeita. A esperança que ela tem de provar sua inocência é sua ligação com Alex Lilly (Cary Christopher), o único aluno da turma que restou. 

O estranho sumiço de várias crianças, sem qualquer sinal de violência ou coação, inicialmente cria uma atmosfera investigativa em A Hora do Mal. Gradualmente, a insinuação de que algo mais complexo está por trás desse caso conduz ao terror. O mérito da direção consiste em fazer isso de forma mais sutil, recorrendo ao psicológico, sem jump scares gratuitos. Zach Cregger ainda consegue encaixar momentos de humor que não soam deslocados nem comprometem o ritmo da narrativa. 

Um dos recursos que mais se destaca é contar a história sob a perspectiva de diferentes personagens. A principal delas é a professora Gandy, cujos problemas no trabalho misturam-se com sua vida pessoal. Em seguida vem Archer Graff (Josh Brolin), um pai determinado a descobrir o que aconteceu com seu filho. Para complementar a trama, temos o ponto de vista de outros personagens importantes como Marcus Miller (Benedict Wong), diretor da escola; o policial Paul Morgan (Alden Ehrenreich); o arruaceiro James (Austin Abrams); e, por fim, o jovem Alex

Contudo, a personagem mais enigmática é a Tia Gladys, cuja interpretação de Amy Madigan lhe rendeu uma indicação ao Oscar 2026 na categoria de Melhor Atriz Coadjuvante. Tanto seu visual quanto suas variações de humor lhe conferem um ar perturbador e inquietante. O longa não oferece muitas explicações sobre seu passado nem quais são as motivações para suas atitudes, porém um spin-off focado nela promete responder a essas questões. 

A tensão crescente construída ao longo da projeção atinge seu ápice no desfecho, abraçando o choque visual. A brutalidade da cena é como uma explosão após todo o estresse acumulado. O resultado é uma conclusão satisfatória que não busca soluções fáceis, deixando um tom sombrio como último resquício. 

A Hora do Mal é a prova de que o gênero do terror ainda pode surpreender, seja pela originalidade do roteiro ou pelo talento do elenco. A obra de Zach Cregger se sobressai nesses dois quesitos de modo que o filme se estabelece como um dos destaques de 2025 e reafirma sua relevância ao entrar na disputa pelo Oscar.

Assista ao trailer:

Conteúdo relacionado:

Fique por dentro das novidades!

Publicidade
Share.
Mozer Dias

Engenheiro por formação, mas apaixonado pelo mundo da literatura e do cinema. Se eu demorar a responder, provavelmente estou ocupado lendo ou assistindo a um filme.

Exit mobile version