A jornada pela Cosmere finalmente chega na sua melhor fase com o primeiro volume da obra-prima de Brandon Sanderson. O Caminho dos Reis apresenta de forma épica a saga Os Relatos da Guerra das Tempestades (The Stormlight Archive). Apesar do tamanho intimidador e da densidade da história, a riqueza de detalhes, personagens emblemáticos e criatividade tornam a leitura uma das mais prazerosas e divertidas que já experimentei com uma obra de alta fantasia.
Roshar é um mundo assolado por poderosas tempestades conhecidas como grantormentas. Séculos depois da queda dos Cavaleiros Radiantes, as únicas coisas que restam de sua extinta ordem são as Armaduras e Espadas Fractais, itens que transformam pessoas comuns em guerreiros praticamente invencíveis. Dentre as inúmeras guerras travadas nesse cenário hostil, uma das mais violentas — e sem sentido — se passa nas Planícies Quebradas. Lá, Kaladin é um ex-soldado que caiu em desgraça e agora luta para sobreviver em meio ao conflito. Liderando um dos exércitos, o grão-príncipe Dalinar Kholin questiona a própria sanidade enquanto procura uma forma de unificar o reino. Muito longe dali, a jovem Shallan está em busca de conhecimento, porém sua verdadeira missão é mais obscura e desonesta. Seguindo os passos desses três personagens, vamos desvendando alguns dos segredos por trás de tantas mortes e violência.
Dizer que a saga Stormlight é a obra-prima de Sanderson não é nenhum exagero. Além da qualidade comprovada ao longo da leitura, fica evidente todo o cuidado e planejamento do autor para chegar ao nível de grandiosidade desejado. Durante anos, Brandon vem concebendo essa narrativa e chegou a fazer algumas tentativas de colocá-la no papel, mas somente agora ele atinge o grau de maturidade exigido para algo tão complexo idealizado para 10 volumes.
Uma das coisas que mais me impressiona em O Caminho dos Reis é o worldbuilding que mistura lendas, religião e magia para embasar todas as interações políticas e sociais da trama. Dentro desse contexto, um governo que determina que pessoas de olhos claros são superiores é apenas mais uma entre as diversas peculiaridades. Algumas atividades — segundo a crença do vorinismo — também são atribuídas exclusivamente às mulheres, como saber ler e escrever, e aos homens, como guerrear.
Outro aspecto desenvolvido com maestria é a construção dos personagens, separados em três núcleos principais. Kaladin é o meu favorito, não por ser aquele que passa por mais dificuldades, mas pelo fato de possuir muitas camadas. Seu desejo inato de proteger e salvar lhe rende dilemas profundos, cercados de reviravoltas. Dalinar não fica muito atrás em termos de favoritismo, contudo ele é o oposto de Kaladin. O grão-príncipe segue uma conduta rígida, por mais que isso torne sua vida muito mais difícil entre seus aliados. Shallan também tem minha simpatia, apesar de ser a que menos surpreende, pelo menos nesse livro. Mesmo assim, ela exerce um papel importante e esconde segredos sombrios que ainda serão revelados.
Ao redor dos protagonistas, outras figuras também se destacam, inclusive nos interlúdios, que mostram outros pontos de vista espalhados pelo mundo. Seguindo uma estrutura dividida em cinco partes, os longos capítulos se alternam para fornecer o panorama geral de Roshar ao mesmo tempo em que confirma a sensação de que algo maior está à espreita. Assim, entre as missões de cada um e as cenas de batalha épicas, as trajetórias vão convergindo e preparando o terreno para o volume dois, Palavras de Radiância.
Até hoje, nunca tive experiências negativas ao ler Brandon Sanderson, mas O Caminho dos Reis se destaca dos demais livros por apresentar algo tão ousado, criativo e prazeroso de se acompanhar. Quando paro para pensar que este é apenas o início de Stormlight, fico ansioso pelo que está por vir nessa longa jornada com a certeza de que algo que já é ótimo pode ficar ainda melhor.
Adicione O Caminho dos Reis à sua biblioteca!
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