Quando iniciei Os Relatos da Guerra das Tempestades (The Stormlight Archive), estava certo de que O Caminho dos Reis tinha sido o melhor livro de fantasia que já havia lido. Isso deixou de ser verdade quando passei para o segundo volume da saga, Palavras de Radiância. Aqui Brandon Sanderson mostra o que de fato é grandiosidade enquanto desenvolve esse universo complexo e direciona seus personagens para encarar o real desafio que está por vir.

Mais uma vez, é difícil apresentar um livro de Sanderson sem entregar muitos detalhes, ainda mais com tantas coisas acontecendo ao mesmo tempo. Depois de sobreviver como escravo, Kaladin junta-se a Dalinar Kholin em uma posição de prestígio para um “olhos-escuros”. Enquanto isso, o próprio Dalinar precisa separar aliados de inimigos na tentativa de proteger sua família, unir o reino e encerrar a guerra contra os parshendianos. Shallan, por outro lado, está pensando mais à frente, tentando alertar o mundo sobre uma antiga ameaça que retornou. Caso eles fracassem, as consequências para toda Roshar podem ser irreparáveis.

Após o final impactante do volume anterior, a verdadeira dimensão dos problemas começa a surgir quando os protagonistas se encontram em posições que não estão habituados. Kaladin precisa se readaptar à vida de soldado e arcar com as responsabilidades de seu novo cargo, mesmo que isso contrarie algumas de suas resoluções. Em paralelo, o rapaz luta para compreender suas habilidades especiais e o que fazer com elas. Já o grão-príncipe Dalinar vê-se obrigado a trocar o papel de guerreiro pelo de político e descobre que não é tão bom nisso.

Contudo, é Shallan quem mais se destaca em Palavras de Radiância, saindo da submissão para a liderança. Além de conhecermos seu passado sombrio, vemos sua batalha interna entre falar a verdade e se esconder atrás de mentiras. Com frequência, algumas decisões dela me irritaram, mas não dá para negar o quanto ela é uma personagem complexa e difícil de definir conforme ganha relevância.

Como já era de se esperar, os principais núcleos convergem nesse livro, promovendo encontros muito aguardados ao longo das mais de 1300 páginas. Entretanto, o primeiro contato que não me agradou tanto é justamente entre Kaladin e Shallan. O autor opta por algo mais cômico na relação dos dois, mas acaba soando infantil antes de evoluir e ficar óbvio o quanto eles têm em comum, incluindo traumas. Transitando entre os dois, uma figura que também cresce é a de Adolin, mostrando carisma e potencial.

Seguindo a mesma estrutura de O Caminho dos Reis, este volume também se divide em partes que são separadas por interlúdios. Neles, podemos enxergar a história pelo ponto de vista de alguns antagonistas e entender quais são suas motivações. Dentre os novos personagens apresentados nesses intervalos, quem se destaca é Lift, uma menina com habilidades promissoras. Sua breve aparição promete ganhar importância futuramente, tanto que ela protagoniza uma novela que se situa entre os livros 2 e 3 de Stormlight, Edgedancer.

Apesar de o desenvolvimento dos protagonistas ser o principal elemento, Palavras de Radiância também responde uma de minhas maiores dúvidas: O que, afinal, são os esprenos? A princípio, parecia que eles eram algo corriqueiro — ainda que abstrato — nesse cenário, visto que as pessoas não davam muita atenção a sua presença. Porém, começa a ficar claro que eles têm uma origem e um papel consideráveis dentro da trama.

Finalmente, as cenas de ação. É impossível escolher apenas um momento de destaque entre as diversas batalhas que ocorrem. O fato é que Kaladin está envolvido em todas elas, algo que mostra o quanto ele é impressionante. Algumas passagens são épicas ao ponto de causarem arrepios — e isso não é somente força de expressão. Até mesmo as conexões com Warbreaker são impactantes, mas só causam esse efeito se você lê-lo antes. De qualquer forma, tudo se encaminha para uma nova guinada no terceiro volume, Sacramentadora.

Se a qualidade dos livros de Stormlight Archive for aumentando conforme a saga avança, provavelmente Palavras de Radiância ficará por pouco tempo no posto de melhor livro de fantasia que já li. Mas, até o momento, essa é a obra que melhor define o estilo criativo, ousado e grandioso de Brandon Sanderson para conceber uma história envolvente na qual você não para de ler até chegar à conclusão.

Adicione este livro à sua biblioteca!

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Mozer Dias

Engenheiro por formação, mas apaixonado pelo mundo da literatura e do cinema. Se eu demorar a responder, provavelmente estou ocupado lendo ou assistindo a um filme.

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