Tijolômetro – Supergirl (2026)
Depois da boa recepção de Superman (2025), a confiança de que a reformulação do DCU traria bons resultados aumentou consideravelmente. Por essa razão, a estreia de Supergirl chega carregada de expectativas. Contudo, apesar de bons momentos e do carisma da protagonista, o filme dirigido por Craig Gillespie e escrito por Ana Nogueira não consegue impor uma identidade própria e fica preso à fórmula estabelecida por James Gunn em suas produções.
Baseado na série de quadrinhos A Mulher do Amanhã —ilustrada pela brasileira Bilquis Evely — o longa mostra Kara Zor-El (Milly Alcock) comemorando seu aniversário de 21 anos em um planeta banhado por um sol vermelho. Enquanto se diverte, ela conhece Ruthye (Eve Ridley), uma menina que testemunhou a morte dos pais e agora quer se vingar do mercenário Krem (Matthias Schoenaerts). Mesmo relutante, Kara é obrigada a se envolver e se junta à garota em uma busca através da galáxia.
Essa premissa está longe de ser novidade, o que torna o roteiro de Supergirl apenas mais um entre tantas tramas semelhantes. Isso inclui a dinâmica entre a heroína e uma adolescente desobediente que vive se metendo em encrencas, o consequente amadurecimento de ambas e um vilão genérico que se destaca apenas pelo visual sombrio.
Tais problemas não teriam tanta relevância caso o diretor Craig Gillespie tivesse criado uma atmosfera própria para o filme. Porém, é nítido que ele tenta seguir o mesmo padrão visual e sonoro de James Gunn em suas produções. O resultado é uma aventura espacial em que a música é um elemento de destaque durante as cenas, principalmente nas de ação, em que o design segue a mesma estrutura. Isso torna a comparação com Guardiões da Galáxia inevitável, reforçada pelo apelo sentimental envolvendo animais, neste caso com Krypto.
Por outro lado, o desenvolvimento de Kara é um ponto forte, especialmente a contextualização de seu passado em Krypton e a relação com seu primo, Superman, na Terra. Nesse aspecto, a atriz Milly Alcock se destaca no papel, dando carisma à personagem, senso de humor e peso dramático nos momentos certos.
Quem também chama a atenção é Jason Momoa como o caçador de recompensas Lobo. Essa é a prova de que ele nasceu para interpretar esse anti-herói, por mais que sua participação seja dispensável para o desenrolar da trama. De qualquer forma, tudo indica que o veremos novamente, seja como aparição especial ou em algum projeto solo.
Ainda que não surpreenda pela criatividade, Supergirl estabelece novas adições que certamente terão importância para o futuro do novo DCU. Em particular, a construção da heroína e a escolha acertada de sua intérprete fornecem bom material para criar interações cativantes com outros membros desse universo em obras potencialmente mais originais e ousadas.
Assista ao trailer:
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